Hora de partir

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Está na hora de partir. Ela nem arrumou suas coisas direito e saiu. Bateu a porta pra não voltar mais, não queria aquele emprego. Ela deu um beijo apaixonante no garoto que ama, sem ele saber que seria o último, e foi embora, como se fosse outro dia qualquer.

Ela abraçou forte os seus pais e apenas disse que tudo iria ficar bem e, desapareceu naquela madrugada de quarta-feira. Nem sabia para onde poderia ir, apenas foi. Tirou todo o seu dinheiro do banco, comprou uma passagem de ônibus para a praia, porque gosta do som do mar, e de lá decidiu que não pensaria no depois, só no momento presente.

Sempre achou a vida magnífica, as pessoas surpreendentes e a morte um mistério. Todos adoravam ela, garota simpática, filha exemplar, tão boazinha! Mas no fundo só ela sabia o quanto não sabia de nada. Queria ser a pessoa perfeita, e parecia um fiasco em tudo o que fazia. Não sentia que existia, apenas que sobrevivia. Não sabia direito o que era e nem o que queria, mas não desistia de achar, até aquele momento.

Aquele momento da fuga foi o ápice para ela. Uma mistura de alívio e dor. Ela estava bem cansada, cansada de procurar as respostas, cansada de tentar entender as perguntas. Não aguentou tanta explosão dentro dela que teve que fugir. Naquele momento, sozinha, dentro do quarto de um hotel de esquina, ela fechou os olhos e se aprofundou para dentro de si, tentando se achar, tentando se descobrir, tentando achar um rumo que faça sentido. Ela se aprofundou tanto em si, que não conseguia mais voltar… Não se sabe direito o que exatamente aconteceu com ela, mas espero que ela tenha se encontrado.

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13 comentários sobre “Hora de partir

  1. Dilemas existenciais parecem nos perseguir desde o momento do despertar da consciência. É o que nos faz pensar sobre o valor e o significado de tudo. As vezes é mais fácil “fugir” (como se fosse mesmo possível) quando na verdade a “fuga” se transforma apenas numa “retirada estratégica” para reagrupar as forças para reorganizar um “contra-ataque”. Mas, no fim tenho impressão que o destino sempre é o “inevitável”. Excelente texto.

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