Meu ataque de pânico

Vou fugir um pouco dos temas que são postados atualmente, porque esse blog também é pra falar de comportamento e coisas do dia a dia.

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Sempre tive ansiedade. Lembro que quando pequena ela vinha com tudo e eu não sabia o que era e nem como lidar. Fiz exames do coração, onde uma vez, passei uma semana inteira com um aparelho que mede os batimentos cardíacos. Não deu problema nenhum. Sentia uma vontade constante de vomitar, mas nunca saia nada. Enfim, com o tempo comecei a entender e a controlar mais a ansiedade. Até que em 2012 fui realizar meu grande sonho: Fazer intercâmbio! Achei que ia ficar tão ansiosa que passaria mal e nem conseguiria dormir na noite anterior, mas por incrível que parece dormi normal, como se o dia seguinte não fosse acontecer nada (acho que quando você tá certo do que quer fazer, a mente fica em paz).

Quando deu 1 mês do meu intercâmbio conheci o que era ataque de pânico. Fui na casa de umas amigas brasileiras ver aquele filme: O exorcismo de Emily Rose. Ficamos muito impressionadas e quando fui pra minha casa dormir, sonhei que tinha sido possuída, e o sonho foi MUITO real. No dia anterior eu já estava me sentindo estranha quando caiu a ficha que estava morando em outro país e não tinha dia pra ir embora. Que eu estava longe da minha família e estava só por minha conta. Acho que juntou tudo e deu merda: a ansiedade atacou de vez.

Quando eu acordei do pesadelo, estava sozinha na minha casa. Meu corpo estava muito pesado, e parecia que tinha uma mão gigante amassando meu peito. Eu puxava o ar forte, mas simplesmente não vinha nada. Eu tremia dos pés a cabeça e me sentia muito fraca. Meu coração parecia que ia sair pela boca e as mãos e os pés soavam demasiadamente. Eu chorava que nem louca e tinha CERTEZA que eu ia morrer, e que eu não estava mais no controle do meu corpo. Eu não conseguia pensar, só queria acabar logo com a sensação. Mas consegui ligar pra minha amigona que é minha amiga do Brasil e pedi a ela que viesse me ver. Depois de uns minutos ela apareceu, consegui me acalmar, mas mesmo assim estava muito nervosa. Não sabia se eu tinha sido possuída (sim,acreditem), ou se era um aviso que eu ia morrer, ou se eu tinha ficado louca.

Fui pra casa dela e fiquei conversando com nossos amigos. Fui me acalmando, mas eu sentia um vazio imenso dentro de mim. Conversei aquele dia com meus pais no Skype e chorava muito, mas me senti bem melhor. No dia seguinte estava bem, mas com o vazio ainda. Lembro que fomos num Pub ver um cantor irlandês, amigo nosso, e eu não sentia que eu estava ali, é como se fosse só o meu corpo presente. Melhorei só uns dois dias depois do ataque, onde o pico dele durou cerca de uma hora. Foi horrível e nunca mais senti aquilo de novo, mas vira e mexe a ansiedade ataca e dou um jeito dela diminuir. Só quero falar que ansiedade não é frescura, e ataque/síndrome do pânico muito menos. Algumas pessoas nascem com isso, ou desenvolvem com o passar do tempo, e tem momentos que você não consegue controlar sozinho…

Alguém já passou por isso? Tem alguma dica? ;* 

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27 comentários sobre “Meu ataque de pânico

  1. Ansiedade sim, sou pura ansiedade rs Síndrome do pânico nunca tive, mas tenho uma amiga que sim, é uma coisa realmente séria e muito complicada, acho que só buscando ajuda de um profissional pra conseguir saber o que fazer.. Eu não saberia o que fazer se fosse comigo, mas acho que procurar se distrair e estar com pessoas que te fazem bem pode ajudar bastante mesmo..

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  2. Uau, Mel, texto lindo e corajoso. Sincero.
    Eu, por exemplo, tenho muita dificuldade em escrever sobre coisas que me digam respeito diretamente. Então, faço graça. Contorno. Enfim. Cada qual ao seu modo, certo?
    Texto incrível. Parabéns…

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  3. Eu vivo sob constante ameaça desta síndrome. Até o ano passado eu tinha pelo menos uma a duas crises por mês. Era um verdadeiro inferno. O corpo ficava moído no dia seguinte, minha cabeça levava semanas pra voltar ao normal. Encontrei um pouco de paz e autocontrole com a meditação mas ainda não tenho coragem de parar de tomar a medicação.

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    • Se a medicação te faz bem, continua sim e tente nunca parar a meditação. Quero começar a fazer também, minha mente não para um segundo. Vi que tbm é bom florais, já ouviu falar? E claro, muitos exercícios tbm…

      Beijos!

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  4. É estranho e não me entenda mal, mas parabéns.
    Não por sofrer com a ansiedade, mas por buscar compreender e compartilhar com esse intuito lindo que é auxiliar: quem sofre com ataques de pânico e com os outros que não entendem.
    É muito difícil lidar consigo quando se perde o controle, quando a ansiedade encontra um medo inexplicável e domina tudo.
    Feliz de verdade fico pelo episódio não ter repetido e pela forma como escreveu já lidar melhor com isso, com mais entendimento.
    Beijos!

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  5. Já tive sim… Sofri com síndrome do pânico que evoluiu de uma depressão por cerca de um ano e meio só melhorou com tratamento psicológico e medicamentoso. Sua descrição dos sintomas foi bem exata. É horrível. Hoje não tenho mais, e toda aquela experiência me levou à profissão que escolhi. Ansiedade é um dos grandes males da atualidade… No meio da turbulência do dia a dia o ideal é reservarmos um tempo pra nós, para fazermos algo que nos completa, seja escrever, colorir, fazer exercício… Qualquer coisa que nos dê um tempo de tudo. Tratamento psicoterapêutico também é sempre indicado para descobrir a causa da ansiedade, e qualoa gatilhos que a despertam…

    Abraço!

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  6. Sabe que quando eu era mais jovem, eu era muito ansioso também! Acho que ainda sou um pouco, mas não tanto quanto era antigamente 🙂 Quando eu era criança, eu lembro de uma coisa que eu fazia quando era véspera de viagem! Tipo, se faltavam 3 dias pra viajar, eu queria dormir de dia também para poder chegar logo a hora de ir hahaha 😛

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  7. Sim, eu tinha constantes ataques de pânico, sou muito ansiosa e isso afetou de uma forma muito ruim a minha vida. Fiquei em tratamento psicológico por dois anos e com isso fui melhorando, consegui controlar com as sessões, melhorei demais que eu nem me reconheço mais, sou outra pessoa, vivo cada minuto da minha vida sem preocupação, encaro a realidade de forma positiva e Deus também fez parte dessa recuperação, juntamente com meus pais e meu marido.

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  8. Eu sofro de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada), mas consegui controlar com meditação e artes marciais. Ainda assim, é um fantasma que ataca às vezes, e tende a atrapalhar muito meu desenvolvimento profissional ou pessoal. Desde 2008 que não tenho mais pesadelos (na verdade, tive só dois desde então), mas, ainda assim, sinto frequentemente aquela angústia sem origem definida, aceleração dos batimentos cardíacos e inquietude. Um dos resultados é a insônia e dificuldade de me concentrar. Mas posso dizer uma coisa: me sinto normal, pois é um problema como qualquer outro. É como ter um problema cardíaco, pressão alta ou intestino nervoso, a gente aprende a lidar com a doença.

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  9. Recentemente, tive uma crise dessas, a primeira. Chorava e não conseguia respirar e olhava pro relógio e perguntava “por que o tempo não passa, bem na hora que precisa passar?”. Nenhum dos meus amigos atendeu o telefone e não acordei meus pais. Depois de uma hora assim, me levantei da cama, ainda com dificuldades para respirar, e fui para a cozinha. Fiz um chá e fui fazer palavras cruzadas. Controlar a ansiedade significa controlar nosso próprio corpo. Hoje, já sei quando vou ficar ansiosa, e trabalho outras áreas do meu cérebro para tirar as forças da área da ansiedade. Com o tempo, vamos pegando o jeito, aprendendo que é um dia de cada vez, e aí os dias vão ficando mais leves e vamos conseguir viver uma coisa de cada vez. Você não está sozinha, querida ❤

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  10. Sofro de depressão e em certos momentos sinto me a beira de um pânico também! Parabéns por externar sua dor e compartilhar o fardo! Você não está sozinha e é muito compreendida por todos que aqui comentaram ! Você vencerá! Um beijo!

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  11. Olá, Mel. Acabo de conhecer seu blog. E devo dizer, poucas vezes me identifiquei como um texto. Algo impossível de não ocorrer, sendo eu portador da Síndrome do Pânico. Os sintomas, as características das ocorrências,o sentir…tudo ali, como foi comigo. Os primeiros meses foram bem difíceis desde o primeiro diagnóstico, em 2012, mas tento viver cada dia como posso. Não direi que é fácil. Tenho dias bons e ruins. Hoje é um bom. Muita gente não entende, acha que é frescura. Eu tenho um amigo com problema similar e eu vivia tentando tirá-lo de casa. Hoje, sentindo na pele, entendo que precisamos respeitar o tempo de cada um.

    Queria ter uma resposta mágica para este problema, mas sei que dá para viver com isso. Mesmo quando acordo ruim, ou tenho algo durante o dia, procuro ferramentas para distrair a mente: filmes, músicas, jogos (lembro de jogar 007 para lidar com um ataque súbito). Eu não sei sei vai ter o mesmo efeito em você que teve em mim, mas quanto mais você se desafia, mais patamares você conquista de volta. Mesmo quando as pessoas não entenderem, lembre sempre que SÓ VOCÊ entende o que passa. Procure preencher seu tempo com coisas que te dão prazer. Mas claro, uma ajuda profissional ajuda muito. Não te direi que ele dará as respostas, mas existe uma grande chance para você começar a fazer as perguntas certas para si e, desta forma, identificar a raiz destas crises. Muito prazer, te desejo boa sorte.

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    • Obrigada!

      Que bom ouvir sua história e saber que vc tem o controle. Acho que conseguimos melhorar se quisermos mesmo, outras precisamos de ajuda da medicina.

      Obrigada pelos conselhos e volte sempre 🙂

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  12. Bom… Tive um ataque cardíaco por ansiedade aos 42 anos. O pior, fui tratada como crise de bronquite na UPA do meu bairro. Não morri pq não era hora. Sei exatamente o que é esta certeza q se vai morrer, o pior, quem olha de fora não vê sentido. Cheguei ao extremo, para decidir buscar tratamento, não faça isso. Existem remédios, exercícios de meditação, de respiração… Me trato com uma equipe multi disciplinar. Clínico, psiquiatra, psicóloga, nutricionista, educador físico… Tudo tem me ajudado. E não é pra sempre, estou a uns meses reduzindo os remédios, fácil não é, pois é mais fácil se anestesiar, mas estou conseguindo. Emagrecendo, dando importância ao que realmente vale se ocupar… Enfim. Busque ajuda. Converse com seu médico, e não ache normal viver dopada, exercícios físicos são tão eficazes quanto, e viciam de uma maneira boa! Beijos e adorei seu blog.

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