Seu texto aqui #Um tumor que temo, mas já tenho

Hey pessoal! Conforme falado aqui, estou postando os textos de vocês que me mandaram no e-mail. E hoje vou postar o do leitor Lucas, do A página zero 🙂 PS: Amei o texto!

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Constatei que saudade é um tumor que nasce junto com o início de qualquer relacionamento, seja uma amizade, um namoro ou relações familiares. Sim, um tumor; e como tumor, pode ser benigno ou maligno.

A saudade-tumor-benigno é aquela suportável. É quando você fica dias sem ver o fulano, mas sabe que em breve vai poder vê-lo novamente. Ela ainda causa dor, mas você pode lidar com isso. Aliás, é até boa de se sentir. É o tipo de tumor que é fácil de ser eliminado, mas que, porém, como qualquer célula cancerígena, renasce e se prolifera sempre, num misto de sofrimento pela ausência e deleite pelo reencontro. E esse é o segredo de ser tão prazerosa: ela machuca no seu crescimento contínuo, mas nos presenteia na sua morte.

A saudade-tumor-maligno é mais complicada. É a saudade que não queríamos sentir, mas é inevitável, impetuosa e massiva. É o nódulo que a gente apalpa, sente sua textura, sente sua dor e sabe que precisa ser eliminada. É maligna porque não pode ser simplesmente “matada”, não há mais a presença de quem o faça. É o tipo de problema difícil de ser controlado, já que a saudade-tumor-maligno se alimenta de lembranças, de memórias, de músicas que foram ouvidas, por locais que foram visitados, por experiências vividas com alguém… Tudo que continua à sua volta, porém sem quem lhe salvaria do sentimento de abandono ou solidão. Não há mais o prazer da morte do tumor, apenas a sensação invasiva de seu crescimento interno.

O portador do tumor maligno da saudade pode inclusive sentir sintomas físicos, veja só. Olhos lacrimejantes, desolação, desânimo e aquela sensação de enjoo que começa no peito e desce para o estômago sempre que se vê o motivo da saudade. Como um soco.

Nenhum cientista descobriu um cura imediata para os sintomas. É um dos mistérios da humanidade, digamos assim. O que se sabe é que a saudade do tipo benigno é, imagine, cobiçada, como um tipo de droga que causa sensações prazerosas em seus usuários; já a maligna, temida por tantos, não se sabe de um remédio efetivo, já que a maldita se alimenta de experiências vividas, guardadas para sempre em nossa mente, mesmo o portador da doença sabendo que tais vivências são passadas e agora inalcançáveis. Muito se fala que o tempo a extermina, mas não creio em tal afirmação. Acredito que ela não morre, nós que simplesmente nos acostumamos a viver com ela. Se torna uma parte de nossa alma e deixa de ser sentida. A dor ainda existe, porém nos acostumamos à ela.

Porque saudade vive de ausência, de falta. De vontades, de voltas no tempo. De sensações de que algo valeu a pena e merece ser revivido.

Saudade é o espaço vazio que fica no peito quando alguém leva uma parte sua. A tal saudade maligna é quando esse alguém não volta para preencher o vazio novamente.

Na verdade, pensando bem, porém sendo menos otimista, a saudade-tumor-maligno tem cura, sim.

Ela se chama doença de alzheimer.

 

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7 comentários sobre “Seu texto aqui #Um tumor que temo, mas já tenho

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