Seu texto aqui #Pára com isso

Hey pessoal! Conforme falado aqui, estou postando os textos de vocês que me mandaram no e-mail. Vamos começar pelo da queridíssima leitora Andrea Yagui! Escreve no Histórias na bagagem e no Conta lá 😀

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Ele colocou um filme pra gente ver. E me deu vodka com suco de cranberry. E ofereceu um cobertor mas eu me fingi de forte e não aceitei. Acordei gripada no dia seguinte. Me abraçou como se me conhecesse. Uma ternura que me deu calafrios. Você não me conhece, cara. Não me abraça desse jeito. Ele passou a mão no meu braço, pra cima e pra baixo, me aquecendo. Como você sabe que eu sempre estou com frio? Bom, não faça isso também. Carinho é coisa preciosa. Não é pra sair guardando a sua mão dentro da minha.

Aonde estão as suas segundas intenções? Alisa minha perna. Escorrega a mão embaixo da minha blusa. Se esfrega em mim com o pretexto de se acomodar melhor no sofá. Mas para com esse afeto gratuito. Ó, vou te retribuir um pouquinho pra ver se você para. Ponho a mão no rosto dele. E ele automaticamente suspira. Cara, ele suspira. Quem é você? Tá no palco e eu sou sua plateia? Fez Fátima Toledo? Cara. Eu toco a sua barba e você suspira. Em que mundo você vive? Me viro e beijo ele. Toma, seu tonto, sossega.

Mas ele não sossega. Daí que eu não sabia que era tão fácil mudar nossa dinâmica. O beijo vira outro beijo que vira outro beijo que vira uma série de beijos progredindo numa velocidade maior que os beats do filme. Que filme? Sumiu a TV, o sofá, tudo. Ficou a mão dele alisando minha perna, escorregando pra baixo da minha blusa, me trazendo perto pra ele se esfregar em mim sem pretexto algum. Agora adivinha pensamento também, esse maldito. Para com isso. Seu lindo.

Me carrega pra cama dele como se eu não tivesse peso. Só percebi porque o chão sumiu. Me vejo num mar de travesseiros, lençóis, edredon. Será que eu sei nadar? Ok. Ele quer saber do que eu gosto. Ele quer saber o que eu quero. Eu tenho que me lembrar constantemente: eu não sou de mar. Eu sou de terra firme.

Olha. Vamos desprogramar meu léxico. Embaralhar minha gramática. Anestesiar minha cognição. Afogar as minhas expectativas, sejam necessárias quantas tentativas. O que eu quero, mais precisamente, é que você não deixe rastro algum desse romantismo estúpido, moldado a cada música, cada livro e cada filme que eu deixei me comover.

Dane-se Drew Barrymore e Anne Hathaway. Dane-se Ray La Montagne e James Bay e todos os cantores roucos. Somos desconhecidos. Somos objetos de cena. Não estamos nem aí um com o outro. Dane-se Gabriel Garcia Marquez e sua nuvem de borboletas porque eu não vou me apaixonar.

Prestes a quebrar o silêncio, ele guarda a mão dentro da minha. Deito de bruços e pergunto se posso fazer uma pergunta (e nada pior do que perguntar se pode fazer uma pergunta). Ele me imita, deita de bruços também e como se estivéssemos pegando sol na praia, diz que eu posso perguntar o que eu quiser.

Ele espera a pergunta com uma curiosidade nos olhos que acaba comigo.

Suspiro.

Merda.

 

PS: Recebi vários e-mails de vocês =D Fiquem de olho que qualquer sexta o seu texto pode estar aqui! ❤

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5 comentários sobre “Seu texto aqui #Pára com isso

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