Da superfície ao fundo

Olar, leitores da Mel. Me apresentando rapidamente: sou Rafaella, correndo por aí desde 1990, consultora de melhoria de performance em finanças (?!?!?), vivendo atualmente entre um aeroporto e outro, um continente e outro, uma vida e outra. Semanalmente estarei aqui compartilhando uma crônica, uma reflexão, ou qualquer textinho que possa seduzí-los para um pensamento bom. Espero que gostem (:

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Depois de um tempo, a dor passou, a raiva desvaneceu, todas as coisas que eu queria ter dito e não disse foram esquecidas ou simplesmente guardadas num lugar muito escondido entre as prateleiras da minha mente, quer por estarem cheias de mágoa, quer por não fazerem mais sentido depois que tudo isso passou. E passou.

Nem consigo me lembrar de quantas técnicas usei para tentar te esquecer quando parecia que eu andava com a tua  fotografia no bolso: naquela praça bonita (a minha preferida!) no centro de São Paulo, aquele restaurante onde fomos na véspera de uma viagem, na rede de balanço no sítio do meu avô onde você acordou manso e sorridente no meu colo. Eu evitei por muito tempo visitar tantos lugares para não cruzar com o espectro da tua presença e não porque doía não te ter mais lá, mais por um saudosismo mesmo, desses bem sacanas que te fazem perder o interesse no presente e olhar para o passado como se fossem as fotografias mais bonitas da sua vida e você nunca mais fosse viver nada parecido.

Isso tudo passou. Um dia desses fui no meu restaurante preferido (que depois virou o teu) com um outro alguém e não me lembrei de você com saudade, nem com tristeza. Você se tornou uma boa lembrança que descansa no passado.

Por muito tempo eu me peguei desejando que nos tornássemos amigos ou que  nos encontrássemos por acaso em algum canto dessa cidade gigante. Sabe o que é engraçado? A gente nunca se esbarrou. E nem teria como, quando eu já sinto que éramos mesmo diferentes.

Ainda lembro da última vez que te encontrei depois do término e fiquei tão triste depois, imaginando como sua vida podia ter seguido tão bem sem mim, como você podia ter começado tantas coisas novas e passado por tantas coisas novas sem eu do seu lado para dar risada e fazer carinhos no antebraço. Que egocentrismo meu. Claro que você ia se sair bem na vida. Eu também me saí bem.

Se alguém me perguntasse quando foi que eu me apercebi disso, eu nunca saberia dizer. Mas a verdade é que devagarinho tanto o bem quanto o mal que ainda estavam atrelados à tua lembrança, saíram da superfície dos meus sentimentos e agora repousam num lugar que eu nem saberia encontrar. E isso é bom. Posso te desejar toda a sorte do mundo daqui pra frente, tenho certeza que você vai encontrar garotas tão ou mais legais do que eu fui e vai viver histórias de amor tão ou mais legais do que a nossa. O que importa é que agora a minha vida seguiu mesmo em frente e você se tornou um pensamento bom, mas que ficou para trás.

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11 comentários sobre “Da superfície ao fundo

  1. Oi Rafaella! Bem vinda querida! Chegou chegando hein! rsrs
    Acho que a maioria já passou por isso. Na hora? Parece que nunca vai ter fim, mesmo quando já passou por isso antes. Aquele foi diferente (sempre é). Mas no fundo não foi, a dor é a mesma. Umas duram mais, outras menos, mas vão embora igualmente. A melhor parte é essa ultima que descreveu, uma liberdade que vem não se sabe de onde. Apenas um dia você acorda e está mais fraco e mais algum tempinho…não está mais lá. Apenas se foi como veio. Gostei muito do texto!
    Bjooo 😉

    Curtido por 2 pessoas

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